domingo, 29 de abril de 2012

Conto: eu amo meu melhor amigo



Ela estava precisando se afastar por um tempo, então aproveitou a mudança de seus pais para outra cidade, ela não queria se afastar das pessoas que amava, principalmente dele. Não queria se afastar das amigas e ter que mudar de colégio, mas o que estava sentindo era algo muito novo e assustador, ela nem sabia exatamente se aquilo poderia ser considerado amor. Ela estava com medo, com medo de perder de vez a amizade dele.

Com um tempo, ela achava que podia organizar as coisas, com a mudança ela seria forçada a tirar aquele sentimento novo de dentro dela e tudo seria como antes.
Sentada na rede da sua nova casa, ela pensava o quanto foi estúpida por não ter se despedido dele, por não dar pelo menos um abraço. Ela não dava sinal de vida, era como se sua antiga vida não tivesse existido, como se ela tivesse apagado o passado; pelo menos era isso que ela pretendia fazer, mas não sabia se estava dando muito certo. Os sentimentos dentro dela não mudaram muito, ela até deixou de usar suas redes sociais, mudou de número e nem disse pra ele onde estava morando. Aquilo partia o coração dela; ele era o seu melhor amigo e o que ela estava fazendo não tinha perdão, se mudar assim, sem dizer nada, nem um porquê, nem um tchau para aquele que já parecia da família, de tão próximos que eram. Seus pais achavam estranha toda essa reação e porque ela não tinha dito onde ficava sua nova casa, mas respeitavam a sua vontade sem fazer muitas perguntas.
Ainda na rede, ela tentava lembrar quando começou a sentir algo diferente por ele, foi muito de repente, claro que não tinha uma data específica. Ela passou a querer estar perto dele 24 horas por dia, sentia ciúmes dele com suas outras amigas, qualquer coisa a fazia lembrar-se dele. Gestos, mensagens, fotos, textos, novelas e séries, qualquer casal na esquina de casa. Ela percebeu que quando ele estava próximo, não era mais como antes, ela ficava nervosa e com vontade de explicar o que sentia, ao mesmo tempo queria abraçá-lo sem explicar nada, ou surpreendê-lo com um beijo, ela queria perguntar pro seu melhor amigo se era normal o que ela vinha sentindo, queria interrogá-lo perguntando se ele também sentia o mesmo. Mas ela percebia que ele ainda a tratava normalmente, como amiga, como sempre foi, como ela costumava gostar de ser pra ele, as coisas estavam fugindo do controle, ela estava confusa e não podia compartilhar isso com o próprio melhor amigo, e no fundo, ela tinha medo que fosse um engano, que ela só estivesse exagerando e criando um amor diferente entre eles, algo que não existia. Não sabia se era carência, ou um primeiro amor bobo que logo passaria, que não valeria a pena investir, contar e ele se afastar, assim ela estaria arriscando perder uma amizade tão intensa, e isso às vezes era mais forte do que ela podia imaginar. Ela não sabia o quão racional poderia ser, não sabia que poderia lutar contra um sentimento tão declarante.
Ela ainda o tinha por perto, mesmo como amigo, que era o normal. Mas com um tempo as coisas foram mudando, ele contou que estava gostando de uma amiga sua, perguntou se tinha o apoio dela e se ela podia ajudá-lo a conquistá-la, já que elas eram tão próximas. Aquilo fez com que ela desabasse por dentro. Na frente dele, ela sorriu e disse que estava surpresa e perguntou por que ele não havia dito antes, ele respondeu que era algo novo que ele vinha sentindo, ela pouco se importou, por dentro se sentia traída, mesmo sabendo que não havia traição alguma, que ele apenas estava contando pra sua melhor amiga que tinha se apaixonado, esse é o natural, como ele adivinharia que estava a magoando? Ele não poderia saber, ela tentava esconder o amor por ele até de si mesma.
Foi aí que as coisas mudaram totalmente de rumo, ficar ao lado dele como amiga enquanto descobria o seu amor, parecia menos difícil, mas saber que ele gostava de outra enquanto ela se descobria apaixonada, era muito complicado, praticamente insuportável. Ela não sabia o que fazer, disse a ele que tentaria ajudá-lo, mentindo e forçando um sorriso. Não sabia ele o quanto ela precisava de ajuda naquele momento, da ajuda dele mais especificamente. Ela se sentia quente por dentro, a ponto de desabar em lágrimas bem ali, na sua frente, disse que precisava urgentemente chegar em casa e que depois falava melhor com ele, foi se virando e andando em direção a sua casa, já chorando desesperadamente, ela já conseguia sentir falta dele, ela o queria lhe acalmando, como sempre foi, mas ele sendo o motivo das lágrimas era impossível. Ela queria segurar as mãos dele e dizer o quanto se encontrava apaixonada, dizer pra ele que sentia vontade de beijá-lo e como gostaria de ser sua namorada, e que odiava a idéia dele estar apaixonado pela sua amiga.
Enquanto lembrava, ainda deitada na rede, ela chorava. Sentia tanto a sua falta que não conseguia explicar se aquilo era normal, comia mal e odiava a nova escola, na verdade ela odiava toda a revira-volta que tinha acontecido nos últimos três meses. Como ela conseguiu ficar três meses sem falar com ele? Sem saber se ele estava bem e se estava com alguém... Ela ficava curiosa pra saber o que ele estava pensando dela, se ele um dia a perdoaria, afinal de contas, ela não queria que aquilo fosse pra sempre, sentia mais que tudo a falta da amizade dele, mas tinha medo de entrar em contato. E com sua ausência repentina, sem notícias e sem explicações, ela já não sabia se seria a mesma coisa. Ela tava começando a ficar sem esperanças sobre conseguir tirá-lo do seu coração, parecia impossível, havia se passado três meses e nem um pouco do sentimento tinha se afastado, ela só conseguia se torturar, gostar ainda mais, chegava a doer toda a saudade que sentia dele, de tocá-lo, abraçá-lo, isso sim era realmente insuportável. Ela tentou odiá-lo com todas as suas forças, mas nem motivo pra isso ela tinha. Ela estava começando a se arrepender de tudo, de não ter contado, de ter mudado de número e não ter se explicado. Arrependia-se de não ter pelo menos se despedido, um simples abraço que fosse. Ela se arrependia profundamente de ter dito por que não queria ajudá-lo com a sua amiga, ela nem sequer tentou conquistá-lo, ela se sentia estúpida, mas agora parecia tarde demais. Ela sonhava com ele no mínimo uma vez por semana, não tinha novos amigos na cidade, seus pais estavam preocupados.
Revirando suas lembranças e sofrendo com seus sentimentos, ela pegou o seu celular e ficou observando uma foto antiga deles dois, passou pela cabeça a idéia de ligá-lo e dizer o quanto sente falta dele, mas não era tão corajosa quanto pensava. Foi no menu de configurações e colocou o número em privado, em seguida discou o número dele, desejando que ainda fosse o mesmo e planejou esperar chamar três vezes, caso ninguém atendesse, desligaria. Surpresa, na primeira chamada ele atendeu, ela ficou calada enquanto ele dizia “alô”, ela permanecia calada enquanto ele perguntava quem era, do outro lado da linha ele se calou como quem tivesse pensando em quem poderia ser e perguntou: “Sarah? É você?”. No mesmo instante ela desligou o telefone e começou a chorar, chorava desesperadamente, se sentindo egoísta, culpada e fraca. Depois de muito tempo chorando, já com o rosto inchado, ela adormeceu na rede.
Depois da ligação, ela ficou de cama por uns dias, sem comer direito, dores de cabeça e fraca pra ir ao colégio, seus pais estavam sem saber o que fazer; ela não contava nada, mas no fundo eles sabiam que ela sentia falta da antiga vida. Eles percebiam o quanto ela era grudada com o amigo e que ela não ter dado sinal de vida era muito estranho, isso os deixavam ainda mais preocupados.
A mãe de Sarah não era de mexer em suas coisas, nem de interrogá-la sobre o que acontecia em sua vida, Sarah doente deixava ela sem opções, não queria fazê-la se sentir pior com uma conversa que provavelmente ela não gostaria de ter e não lhe daria respostas. Foi então que ela resolver ligar para Cláudio, o melhor amigo da filha. Ela não fazia idéia do que estava fazendo, mas com uma intuição de mãe, parecia o melhor a se fazer.
Arriscando a confiança da filha, ela telefonou para Cláudio, perguntou se ele podia vim ver Sarah, disse que ela estava doente e que não saberia de sua visita, seria uma surpresa. A mãe deu o endereço a Cláudio e rezou para que tudo desse certo. No dia seguinte, Sarah ainda não parecia muito bem, por não estar se alimentando direito, ainda estava bastante fraca e continuava deitava em seu quarto. Na sala, sua mãe esperava agoniada por Cláudio, ele já estava a caminho. Ambos não sabiam o que aconteceria, mas Cláudio estava disposto a arriscar.  
A campainha tocou, a mãe de Sarah abriu a porta e cumprimentou Cláudio, perguntou se tinha problema ela ir ao mercadinho comprar umas verduras enquanto eles conversavam, Cláudio entendeu a aflição que ela estava e disse que não havia problemas. Ele entrou e a mãe de Sarah já saindo, disse:
          - Querido, ela está no quarto, vá até lá.
          - Obrigado, não se preocupe, vamos ficar bem. –Cláudio respondeu.
Cláudio passou pela sala, indo em direção ao corredor, tentando deduzir qual das portas seria o quarto de Sarah, foi quando ele a ouviu perguntando:
- Mãe? Quem tá aí? O papai já voltou?
Seguiu sua voz e deu duas batidinhas na porta avisando que estava entrando.
Sarah tomou um susto ao vê-lo entrando no seu quarto, passaram mil coisas pela sua cabeça. “Como ele estava na minha casa? Ele nem sabia onde ficava. Quem diria a ele? Isso é um sonho? Ou estou ficando louca de vez?” Sentiu uma pontada forte na cabeça pelo susto que tomou e falou meio gaguejando:
         - Cláudio? O que você... ? Não, mas por que você... como assim? Que foi? Por que você tá aqui?
         Ele sorriu meio de lado e falou de cabeça baixa:
      - Não me mande embora agora, ok? Você deve estar com ódio de mim, pra ter sumido desse jeito, eu pirei sem você comigo, sem me mandar notícias. Enfim, não quero refletir minha raiva em você, não agora que você está doente. Só vim porque sua mãe disse que você não tava bem e ela não sabia o que fazer, ela estava muito preocupada, não a culpe. Queria vim por você, pelo que a gente tinha, porque ainda me preocupo contigo, Sarah, e não queria admitir que sinto falta de ser seu amigo, não agora. Mas acho que vim mais pela sua mãe, eu estava com medo do que encontraria, uma “ex-melhor amiga” com sete pedras na mão? Não sei. Por que você sumiu assim? Eu não entendo. Não sei se deveria estar aqui, não sei o que você tá pensando agora, eu não sei de nada. Você tinha idéia de que eu poderia estar sentindo sua falta? Eu costumava te ver todos os dias, Sarah, e de repente você some e diz pra todos que você mantém contato não me dizer onde você está morando. O que eu posso pensar? Que você me odeia, nem sei o que fiz. Se for pela Cecília, esquece isso, eu pensei que gostava dela, mas não imaginei que você teria um surto de amizade desse jeito, por três meses eu tentei adivinhar o que foi isso e ainda não cheguei a uma conclusão concreta. Pensou que eu iria te deixar de lado? Por causa da Cecília? Foi isso? Por que eu não entendo, não sei o que aconteceu nesses últimos três meses com a gente. Sei que estou falando muito, me desculpa, você tá doente, mas é que foram dias pensando e me perguntando por que você não queria me ver e porque você se afastou desse jeito de mim. Explica pra mim, o que foi isso tudo? Por favor, eu juro que depois de uma resposta, eu vou embora.
Sarah já estava chorando e entre um dos suspiros, ela conseguiu falar uma única coisa:
       - Cláudio, me desculpa. –Ela continuou chorando e ele sentou do lado da sua cama e a abraçou.
Ele tentou acalmá-la, mas ainda não fazia idéia do que tava acontecendo, então Sarah parou de chorar e falou:
- Eu não estou com raiva de você, muito menos com ódio. Se você me perguntar exatamente o que foi que eu fiz, não saberia te explicar direito, só sei que fui idiota todo esse tempo que me mantive longe de você. Eu estou arrumando coragem pra te dizer o que eu já deveria ter dito há muito tempo. Eu acho que tiver um surto sim, mas não de amizade. Eu estava com medo de te perder, eu estava com medo de tudo. Nós somos amigos há tanto tempo, sempre conversamos sobre tudo, mas eu acho que ainda não estava preparada pra te falar certas coisas. Acho que você precisava me procurar, pra que eu tomasse coragem, eu precisava ter certeza do que eu tava sentindo, ou melhor, do que eu ainda sinto.
Cláudio interrompeu Sarah:
- Mas Sarah, você nunca iria me perder, somo amigos há anos, nunca tivemos segredos.
Ela continuou:
- Eu sei, eu sei de tudo isso, mas o meu medo de te perder é diferente. Eu queria te falar isso no telefone outro dia, mas não tive coragem, imaginei que com toda minha idiotice, sem te explicar nada, você me odiaria e não me entenderia.
Ele disse:
- Eu tinha certeza que era você no telefone, eu quis tanto te encontrar, queria saber o que estava acontecendo, te abraçar de novo, você é minha melhor amiga.
Ela interrompeu Cláudio e disse sem mais nem menos:
- Eu te amo.
Ele olhou surpreso e ficou sem palavras. Sarah continuou com medo da próxima fala de Cláudio:
- Eu quis te dizer isso várias vezes, mas nunca tinha coragem, já faz um tempo, mas você sempre me viu como amiga, então eu tinha medo que você se afastasse de mim, então preferia você do meu lado como meu melhor amigo do que como nada. Não queria que as coisas ficassem estranhas entre a gente, no final eu piorei tudo, eu sei. Mas eu não sabia como lidar com esse sentimento, eu te amo como eu nunca imaginei amar alguém, e hoje eu tenho certeza do que sinto, por isso estou te dizendo. Não sei explicar bem porque eu me afastei assim, foi mesmo idiotice, mas eu tava com medo, você disse que gostava da Cecília, foi mais um motivo pra nunca te contar nada. Eu me afastei pra ver se isso passava, se eu podia voltar a ser só tua amiga novamente, como nos bons tempos. Então, resumindo, é isso, eu te amo.
A expressão de Cláudio era estranha pra Sarah, ela não conseguia dizer se ele só estava surpreso, ou também furioso. Se ele tava achando tudo aquilo uma loucura e que não fazia sentindo algum. Sarah estava enlouquecendo naqueles 30 segundos de silêncio, ela queria uma resposta, mas estava aflita, com medo do que estava por vir. Foi então que Cláudio começou a sorrir.
- O que é que você tá me dizendo? -Continuava rindo- Você está apaixonada por mim? Foi por isso que você ficou longe de todo esse tempo? –Cláudio disse.
- Não ria de mim, seu idiota. Eu gosto de você, se você não entende o que eu sinto, se você não sabe o que é amor, não fale nada e saia, não fique rindo de mim assim, faz com que eu me sinta uma idiota. –Sarah falou.
- Mas você é uma idiota. –Disse Cláudio.
- É o quê? -Ela perguntou furiosa.
- Você é uma idiota, sabe por quê? Porque você esperou mais de três meses pra me contar isso, mas sem querer você foi uma idiota inteligente. E também a mais linda com essa cara de quem vai me matar. Sabe por que a mais inteligente? Porque eu que sou burro, tive que esperar você se afastar, para perceber que eu estava ficando louco sem você, perceber que eu também te amo. De início, senti falta da sua amizade, você comigo todos os dias, mas depois eu sentia falta de te tocar, de te abraçar, então eu percebi que estava diferente. Você é minha melhor amiga sim, mas eu queria mais. Eu te desejei comigo, sabia que não era só amizade. Quando sua mãe me ligou, eu ainda estava nervoso e em dúvida se vinha, mas era minha única chance de dizer que te amo, mesmo sem saber se você estava com ódio de mim, enfim, sem saber de nada. Quando chego aqui, você também me ama. Por isso eu ri, não estava debochando, só fiquei feliz por você sentir o mesmo que eu, eu ainda não acredito, parece mentira. Mas você continua sendo idiota, por esperar tanto tempo. Eu só precisava do seu endereço ou do seu número pra te falar o que estava sentindo. –Cláudio falou.
Ela estava sentindo tudo ao mesmo tempo, alívio, amor, paixão, saudade e uma vontade louca de beijá-lo. Depois da breve explicação de Cláudio, ela falou:
- Você me deixou doente.
Os dois riram juntos e Cláudio falou:
- Desculpe por isso, mas você quase me matou de saudade. Agora eu estou aqui e vou cuidar de você. Sarah, eu também te amo de um jeito que eu nunca pensei amar alguém, deixa eu cuidar de você e te dar todo o meu amor? Tenho tanta coisa pra te falar.
- Eu não poderia querer outra coisa. –Ela respondeu com um sorriso no rosto, entregando sua felicidade.
Cláudio sentou ao lado dela, aproximou o corpo de Sarah no dele, olhou nos seus olhos e disse que a amava. Deu um beijo na sua testa, como costumava fazer quando eram apenas amigos, arrastou o beijo da testa até sua boca e finalmente selaram um beijo de amor, com muita paixão e desejo. Depois que pararam de se beijar, Cláudio perguntou:
- Quer ser minha namorada?
- Claro que sim, eu te amo. –Sarah respondeu.
- Eu também te amo, minha linda. –Cláudio disse.
...
Cássia Rodrigues

7 comentários:

  1. Nathália Mendonçaabril 29, 2012

    lindoooooooooooooooooooooooooooooo, ameiiiiiiiii"*---------*

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  2. Cássia Rodriguesabril 29, 2012

    Ouuuuuuuuuuuuuun linda *-* obrigada :$

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  3. perfeito 0 conto quero mais....foi uasdas historias q mais gostei.

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  4. LIIIIIIINDO DEMAIS *-*! chega chorei , serio mesmo ..

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  5. Cássia Rodriguesagosto 31, 2012

    Poxa! Nunca mais tive tempo pra fazer contos, gosto tanto quando vocês gostam *-* Obrigada gente!

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